Existe uma condição que está cada vez mais sendo estudada na sociedade científica que é a Síndrome da Apneia Obstrutiva do Sono. Essa condição se caracteriza pela redução da capacidade de oxigênio durante o sono pelo momento onde a uma parada da respiração e isso acontece de forma involuntária, isto é, sem a vontade da própria pessoa.
Aqui está um Vídeo no meu canal do YouTube explicando esses detalhes: https://www.youtube.com/watch?v=5ZX_xvM6B7E&t=2s
Imagine a seguinte situação: você precisa parar de respirar para não se afogar enquanto mergulha numa piscina. O seu corpo vai avisando você que é necessário que você respire e você sente uma necessidade que beira o desespero para voltar a respirar normalmente.
Você tem essa consciência quando está acordado, mas quando está dormindo, essa capacidade de alerta diminui e com isso você sofreria todas as suas noites com pausas respiratórias que faria o seu oxigênio cair e fazer o seu cérebro sofrer. Esse sofrimento por consequência geraria pequenas lesões no seu corpo inteiro, principalmente no seu cérebro e no coração. Ao longo de alguns dias a semanas, a pessoa vai sentir sonolência durante suas atividades normais, principalmente se tiver em repouso, como quem espera na fila do banco sentado ou num trânsito engarrafado ou na sala de espera do consultório médico ou do dentista. Ao longo de muitos anos, essa pessoa manifestaria a temida pressão alta (hipertensão arterial sistêmica), a diabetes (o aumento do açúcar no sangue por aumento da resistência à insulina ou prejuízo da fabricação própria de insulina), a demência e também problemas graves de saúde como um infarto do coração e do cérebro (AVC ou popularmente chamado de “derrame”).
Vou simplificar ao máximo o que acontece com essa doença: quando você parar de respirar enquanto dorme, cai o seu oxigênio que vai sendo consumido dentro do seu sangue. Essa queda de oxigênio vai estimulando o cérebro a gerar um estresse que faz o coração bombear mais vezes e com mais força, causando a nível microscópico pequenas lesões dentro do cérebro, deixando esses dois órgãos mais frágeis. O mesmo acontece no restante do corpo, afetando vários órgãos, como rins, olhos, fígado, ouvido interno, etc.

O paciente pode ter outros sintomas, mas geralmente o paciente a trazido pelo/a acompanhante por queixa de roncos, pois os pacientes podem até não acordar com o próprio ronco ou com sufocamento durante a noite.
Quem são as pessoas mais propensas a ter a Síndrome da Apneia do Sono?
➡️ pessoas portadoras de obesidade (sobrepeso e obesos)
➡️ idosos (aumento da flacidez dos músculos da garganta, uso de medicações para tratamento de demências, insônia, depressão)
➡️ pessoas que apresentam doenças neurológicas (acidente vascular cerebral “derrame”, paralisia cerebral)
➡️ alterações anatômicas que geram redução do espaço da passagem de ar pelo nariz e garganta (sinusite com polipose nasal, tumores nasais, desvio de septo, aumento das amigdalas, aumento da adenoide, queixo “pequeno” – retrognatismo, aumento do tamanho da língua – comum em pacientes obesos ou portadores da Síndrome de Down)
➡️ Portadores de Síndrome de Down e outras doenças genéticas
Quem deve buscar ajuda médica?
Bem, essa questão vai parecer um tanto confusa, mas a grande maioria dos pacientes não sabem que são portadores da Síndrome da Apneia Obstrutiva do Sono, pois nem todas as pessoas manifestarão a solonência excessiva diurna, ou seja, momentos incontroláveis de sono. A maioria dos pacientes são homens trazidos por suas companheiras por queixa de roncos intensos ou por ter cochilado no volante. Podemos avaliar a pessoa com sonolência diuna através do seguinte questionário como ferramenta de triagem:
ESCALA DE SONOLÊNCIA DE EPWORTH
Qual a chance de você cochilar se estiver:
1. Sentado e lendo
2. Vendo TV
3. Sentado em um lugar público, sem atividade (sala de espera, cinema, reunião)
4. Como passageiro de trem, carro ou ônibus andando uma hora sem parar
5. Deitado para descansar à tarde, quando as circunstâncias permitem
6. Sentado e conversando com alguém
7. Sentado, calmamente, após almoço sem álcool
8. Se estiver de carro, enquanto pára por alguns minutos no trânsito intenso
Cada uma dessas perguntas precisa ser respondida com uma nota das alternativas abaixo
Nota zero (0) – nenhuma chance de cochilar
Nota um (1) – pequena chance de cochilar
Nota dois (2) – moderada chance de cochilar
Nota três (3) – grande chance de cochilar
Os resultados da Escala de Sonolência de Epworth são geralmente interpretados pela soma dos pontos das perguntas feitas da seguinte forma:
- 0-5: Baixa sonolência diurna (normal).
- 6-9: Sonolência diurna leve (tolerável).
- 10 para cima: Sonolência diurna excessiva (grave).
Sendo assim, a apneia obstrutiva do sono é uma doença que precisa de tratamento. Todo paciente precisa de uma avaiação individualizada para entender o que é possível de tratar de forma simples até para a mais complexa, assim como através de pedido de exames como a Polissonografia. Procure o seu otorrino ou um médico especialista em sono.
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