As 50 principais doenças da otorrinolaringologia! Parte 2: nariz / rinites / desvio de septo

por 21/11/25

Confira abaixo

sinusite demonstrando nível de secreção amarelada dentro dos seios paranasais

Rinite alérgica

A rinite alérgica é uma das condições mais comuns no consultório do otorrinolaringologista, gerando uma infinidade de problemas de saúde na população. Sabe-se que esta condição está associada com elementos que estão no ar (poluição, poeira, pólen, caspa de animais domésticos, baratas, ácaros, etc), classicamente trazendo a tétrade de sintomas: Coriza (secreção clara e semelhante à água que escorre do nariz), coceira (de origem nasal, de garganta, de ouvido e olhos), espirros e nariz entupido.

Vale salientar que nariz entupido em crianças gera com mais frequência quadro de sufocamento durante o sono, a famosa Apnéia do sono, além de contribuir para roncos e respiração pela boca. No paciente adulto, teremos mais sintomas irritativos atrapalhando – coceira, espirros e coriza.

Seu tratamento envolve a conscientização do paciente sobre todos os possíveis elementos e comportamentos que devem ser modificados no dia a dia para trazer resposta do tratamento. A lavagem nasal com soro fisiológico é uma das melhores medidas principalmente para pessoas que estão submetidas a condições difíceis de controle, como a limpeza do ar-condicionado do trabalho.

O paciente que apresenta muita coceira nos olhos pode adquirir uma condição chamada Ceratocone, no qual ha mudança na conformação da córnea e por vezes necessita de cirurgia oftalmológica.

Rinite vasomotora

Esta condição é comum nas pessoas que apresentam sintomas nasais como coriza, Roos e coceira, por vezes nariz entupido, devido exposição à troca de umidade e/ou temperatura, como por exemplo as pessoas que estão no seu escritório no ar-condicionado a 24 °C e Irão almoçar na rua Em local quente úmido a 31 °C. Normalmente esses fenômenos não incomodam as pessoas, porém, se incomodar é possível haver tratamento para melhora dos sintomas.

Rinite gustativa

Algumas pessoas, principalmente idosos, podem experimentar uma coriza nasal – secreção transparente e aquosa – durante as refeições, sobretudo durante a ingestão de alimentos apimentados e quentes. É um quadro que incomoda as pessoas de terem refeições em públicos por conta do gotejamento nasal. Nesses casos, é possível a prescrição de medicações que inibam essa secreção de ocorrer.

Esse evento está atrelado a uma incoordenação de estímulos do sistema nervoso no próprio nariz, dizemos então que é um estímulo parassimpático durante a refeição – que é uma forma de estimular o sistema parassimpático no corpo, responsável pela nossa digestão.

Rinossinusite aguda

A sinusite aguda se dá por infecções dos seios paranasais que são pequenas cavernas de ar que temos dentro do nariz, cursando com quadro de nariz entupido, saída de secreção amarelada, dores de cabeça, mau cheiro dentro do nariz, podendo ou não ter redução do olfato e febre. A maioria dos casos ocorre na infância e por origem de infecção por vírus e sendo uma comum complicação de quadros gripais.

A lavagem nasal é mamndatória para limpeza do nariz e ajudar na desinfecção, por vezes necessitando de complementação com antibióticos orais.

Dificilmente uma pessoa sadia terá mais do que três eventos deste por ano. Se isso ocorrer, é possível que o paciente apresente quadro de sinusite recorrente ou sinusite crônica – quadros que merecem maior atenção e por vezes indicação de cirurgia.

Rinossinusite crônica (com ou sem polipose)

A sinusite crônica é um estado de má ventilação e perpetuação de processos inflamatórios dentro das cavernas do nariz, os seios paranasais. Existem duas formas principais manifestação de sinusite crônica: a manifestação sem polipose e a manifestação com polipose. A grande diferença da presença do pólipo nasal é a sua forma de resposta inflamatória, sendo um quadro que além de cirurgia, pode receber vacinas e agentes e mono biológicos para a melhora do quadro.

A maioria dos quadros disse sinusite crônica merecem atenção para evitar complicações, como nariz entupido, meningite, dor de cabeça crônica (cefaleia), além da perda de qualidade de vida da pessoa portadora dessas condições.

A conduta normalmente envolve cirurgia, também sendo um quadro de possível necessidade de novas cirurgias por conta da recorrência do quadro.

Desvio de septo nasal

O nosso nariz apresenta uma parede que o divide em duas metades – essa parede é o septo nasal. Por conta do crescimento natural do humano, temos o desenvolvimento do material de cartilagem e osso presente dentro do nariz e o encontro na cartilagem do nariz e dos ossos do septo nasal – nesse momento, é gerado o desvio das estruturas com um consequente “cavalgamento” em 1/3 da população brasileira.

A cirurgia do Desvio de septo está indicada nas pessoas que apresentam nariz entupido e sinusite crônica recorrente para melhora da passagem de ar pelo nariz. O nariz pode ficar entupido predominantemente em um lado.

Não há outro tratamento sem ser o cirúrgico após tentativa com medicação nasal, pois quando os pacientes referem obstrução nasal e apresentam desvio septal, este se torna um ponto importante de obstrução e lidar com o desvio septal é crucial para aumentar a passagem de ar pelas narinas.

Hipertrofia de cornetos

As conchas ou cornetos nasais são órgãos compostos por osso e mucosa do nariz presentes na parede lateral de cada lado do nariz. Esses órgãos são responsáveis por filtração, aquecimento e umidificação do ar.

Em pessoas que apresentam um quadro importante de rinite alérgica, exposição a poluição, cigarro, quadros de sinusite recorrente, as conchas nasais apresentam-se aumentadas de tamanho – ocasionando o fenômeno da hipertrofia dos cornetas nasais.

O sintoma mais significativo é a obstrução nasal, podendo ter redução do olfato associado e dificuldade de saída da secreção nasal, gerando drenagem de secreção nasal para fora ou para a garganta.

O tratamento baseia-se em reduzir a inflamação das conchas nasais ou reduzi-las de forma cirúrgica.

Epistaxe (sangramento nasal)

O sangramento nasal pode ter múltiplas origens, a mais comum delas sendo o rompimento de pequenos vasos sanguíneos que se apresentam na parede do nariz, no septo nasal bem anteriormente, onde temos encontro de cinco artérias do nariz. De causas que levem a sangramentos, temos a rinite alérgica no qual o paciente pode apresentar muita coceira no nariz, o trauma digital por manipulação do próprio paciente – cutucar o nariz – ressecamento do ar (Baixa Umidade) ou clima frio. Outras causas incluem distúrbios da coagulação, tumores e malformação vasculares, sendo causas muito mais raras.

Algumas pessoas precisam de cauterização química, ou seja, aplicação de um ácido que corrói os vasos sanguíneos expostos dessa forma diminui até sumir os episódios de sangramento nasal.

Raramente deve-se pensar em tumores do nariz como causa de sangramento nasal.

Fratura nasal

A fratura dos ossos próprios do nariz é um evento decorrente do trauma da face, como as ocasionadas por golpes ou queda, podendo ter relação com traumas leves ou moderados de origem doméstica, automobilística, queda da própria altura, normalmente cursando com sangramento, hematoma na face, deformação do nariz e obstrução nasal.

É necessário corrigir a fratura nasal no máximo até algumas horas do evento ocorrido. É possível que o nariz fique deformado e necessite de cirurgia plástica para correção estética e funcional.

Polipose nasal

O pólipo nasal é uma lesão monifesta de uma forma de dinusite crônica, muitas vezes necessitando de cirurgia para remoção do pólipo e abertura das paredes do nariz para melhor ventilação nasal e alcance da medicação. Muitas vezes o paciente merecerá um tratamento chamado “sanduíche“, no qual inicialmente terá tratamento nasal clínico, após insucesso tratamento com cirurgia e depois retornar ao tratamento clínico.

Todo paciente portador de pólipo nasal deve entender que é possível que necessite de mais de uma cirurgia para tratamento dessa condição até estabilizar o quadro. Mesmo sendo recorrente, o pólipo nasal é uma lesão benigna.

Rinite medicamentosa

A rinite medicamentosa apresenta duas prováveis origens: uso de medicações orais de controle de outras doenças como o tratamento de convulsão, pressão alta, enxaqueca ou uso de descongestionante nasais. Esse último é muito mais comum, onde os pacientes têm o costume do uso rotineiro, por vezes diário e até mesmo de hora em hora do uso de substâncias como Naridrin, Neosoro, Sorine – essas substâncias estão relacionadas a várias complicações, dentre elas pressão alta, arritmias, alterações de visão. Até mesmo essas medicações tem papéis cruciais, que devem ser respeitadas e o paciente não pode ter o vício do seu uso rotineiro – muitos casos chegam a utilizar por mais de anos.

O mecanismo envolvendo os descongestionantes nasais consiste em reduzir os vasos sanguíneos presentes no nariz E dessa forma aliviar a obstrução nasal. A medida que o cérebro percebe que há muita passagem de ar pelas narinas, o cérebro tende a incentivar alguns minutos após a aplicação da medicação a um novo inchaço nasal, levando novamente ao nariz entupido. Quando o paciente apresenta já algum grau de dependência do uso dessas medicações, é necessário fazer um programa de desmame com troca de medicações e quando bem indicada uma cirurgia de desobstrução nasal.

As outras medicações que tratam as demais doenças devem ser investigadas e as medicações podem ser substituídas.

Cistos e mucocele de seio paranasal

Existe uma forma de lesão benigna formada a partir do entupimento da saída de secreção de algumas de nossas células nasais, forando bolsas repletas de líquido – são as mucoceles. Quando se forma uma parede bem feita isolando um pequeno “saco fechado”, dá-se o nome de cisto.

O nosso corpo é capaz de gerar cistos em todos os nossos órgãos praticamente (exceto em ossos), o que não significa que todos os cistos serão da mesma natureza benigna, a exemplo de cistos de ovários (pode representar uma fase do óvulo na menstruação ou pode significar doença do ovário policístico) e dos cistos da tireoide (existem diferentes tipos de cistos, a maioria dele não precisam de intervenção, mas uma minoria necessitará de exame com agulhamento para investigar se é maligno). No caso do nariz, raramente um tumor maligno gerará um cisto – logo, revelando natureza benigna.

Quando cistos ou mucoceles são grandes, podem provocar os efeitos de massa – alteração da visão, visão dupla, sinusite com drenagem de secreção uni ou bilateral, odor fétido, nariz entupido etc. Nesses casos cogita-se a remoção cirúrgica do cisto.

Tumores nasossinusais (benignos ou malignos)

Os tumores presente no nariz em sua grande parte são benignos, oriundos de exposição ao vírus HPV (papiloma invertido), entupimento adquirido de glândulas de secreção nasal (pólipo antrocoanal), produção local exacerbada de cálcio (osteoma) Lesões inflamatórias vasculares e traumáticas (granulomas).

Os tumores malignos de nariz geralmente são raros e relacionadas ao cigarro, Infecção pelo vírus HPV, HIV e Vírus Epstein Barr.

Os tumores de modo geral quando pequenos não apresentam sintomas, porém, quando grandes, podem ocasionar nariz entupido, drenagem de secreção amarelada unilateral do nariz, sangramento e odor fétido, além de poder causar deformações faciais, alterações de visão como visão dupla, cegueira unilateral e dificuldade respiratória.

Cada caso precisa ser avaliado, investigando através de exames de imagem e biópsia e tendo uma conversa clara com o paciente.

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